quarta-feira, 1 de junho de 2011

Queixas de usuários podem melhorar serviço de saúde - Conclui enfermeira em sua pesquisa de Mestrado

A rede municipal de saúde de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, não está adequadamente articulada entre os diferentes níveis de atenção, pois os usuários procuram o Serviço de Pronto Atendimento (PA) na maioria das vezes sem ser em situações de urgência ou emergência, provocando aumento da demanda do PA. Estas são as conclusões de uma pesquisa realizada pela enfermeira Mariana de Figueiredo Souza, em seu mestrado pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

A pesquisa quantitativa foi feita com 330 usuários; a qualitativa, com 23O estudo de Mariana analisou o Serviço de Pronto Atendimento da Unidade Básica Distrital de Saúde do Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, no Distrito Oeste do município (UBDS Oeste). A área tem uma população estimada em 158 mil habitantes e a área básica de cobertura de atendimento, que inclui cinco Núcleos de Saúde da Família, conta com uma população estimada de 36 mil habitantes, segundo o DATASUS – 2009.

Mariana fez uma análise retrospectiva de quais as necessidades de saúde dos usuários que procuram repetidas vezes um serviço de PA, mesmo sem estar nas situações de urgência e emergência, no período de janeiro a junho de 2009. Os dados estão no mestrado A acessibilidade da atenção à saúde: uma análise da procura pelo pronto-atendimento na ótica dos usuários, concluído no final de 2010, na EERP, sob a orientação da professora Ione Carvalho Pinto. As informações colhidas pela pesquisa chamam a atenção para a complexidade da situação e a necessidade de urgência na melhoria do sistema de saúde e, consequentemente, na qualidade de vida da população.

A pesquisadora percebeu alguns equívocos, como o encaminhamento pelos próprios funcionários das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e outro por parte dos funcionários do PA. “Muitas vezes, parte deles mantém a postura de dar continuidade da atenção; continuidade essa que poderia ser garantida na UBS”, alerta Mariana. Ela lembra que a própria organização do serviço faz com que o usuário volte ao PA para buscar os resultados de exames realizados ao invés de serem encaminhados à UBS para checar estes resultados e dar o seguimento de saúde. “O atendimento fica centralizado e não há integração entre os níveis de atenção. E, desta forma, além de todas as demandas de atendimento às urgências e emergências do PA, o serviço também estaria fazendo o papel que é de responsabilidade e competência da rede básica de atenção à saúde.”

Mariana lembra também que toda a Unidade tem o compromisso de acolher os usuários, mesmo nas situações em que essa não é sua missão. Mas isso não significa que os profissionais tenham de acolher os usuários atendendo a todos que procuram, mas sim devem abrir as portas do sistema de saúde.

Durante o período de estudo, o PA do Distrito Oeste prestou 45.771 atendimentos para cerca de 25 mil usuários. A pesquisa foi quali-quantitativa, sendo que a quantitativa, com a amostra de 330 usuários, levantou dados sobre sexo, faixa etária, bairro de procedência, período do dia, dias da semana e meses que os usuários procuraram por atendimento. Desses, 23 usuários, que não estavam na condição de urgência ou emergência, foram entrevistados em dezembro de 2009.

Dor, a principal queixa
A principal queixa relatada pelos usuários na procura pelo atendimento no PA foi a de dor, a maioria delas em membros. No PA avaliado, a conduta terapêutica mais utilizada foi a terapia com medicamentos, seguida da soma dessa terapia com solicitação de exames. Na pesquisa ficou evidente, diz Mariana, a pouca utilização de orientações baseadas em tecnologias leves. “Nesse sentido, podemos dizer que o PA ainda possui várias possibilidades de oferta de serviços a serem utilizados pelos usuários, seja na forma de medicamentos, exames e/ou condutas”, diz.

A pesquisadora observou também que nem sempre o registro da queixa do usuário pelo profissional que o atende no PA era investigado, assim como o tempo de duração das queixas, e nem sempre foi perguntado se o usuário tinha algum problema de saúde ou fazia seguimento de sua saúde em alguma unidade básica de atendimento.

Melhorias
A necessidade mais citada pelos usuários foi o aumento do número de médicos. Mas Mariana lembra que a escuta, a avaliação de risco, a orientação e o cuidado fazem parte da competência de todos os profissionais da saúde. A acessibilidade organizacional na rede básica de saúde, como forma de evitar que o usuário tenha atendimento somente por meio de agendamentos, também foi citada pelos entrevistados, assim como a aquisição de equipamentos e a possibilidade de realização de exames e salas de medicação nas UBS e Unidades de Saúde Familiar (USF).

“Ao mesmo tempo eles remetem o motivo pela não procura à Unidade Básica devido ao horário de funcionamento que coincide com o seu horário de trabalho, o que dificulta agendar ou procurar atendimento na atenção básica, entretanto a maioria dos atendimentos no PA, foi feita no período diurno”. Finalizando, as pesquisadoras dizem que ainda há muito que fazer na tentativa de desafogar o fluxo de atendimento nas unidades de pronto-atendimento. “Mas para isso é necessário que profissionais e gestores reavaliem e reorganizem o funcionamento das UBSs e USFs”.



Fonte: USP Notícias
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